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Rio já tem 80% dos imóveis de temporada ocupados para o carnaval

Rio já tem 80% dos imóveis de temporada ocupados para o carnaval

RIO - Este ano não será igual àquele que passou. Depois da experiência olímpica, o mercado de aluguel por temporada no Rio ganhou escopo. O motivo? O carioca tomou gosto por disponibilizar seu imóvel para terceiros. De acordo com levantamento do Creci-RJ, o número de casas e apartamentos disponíveis para os dias de folia cresceu 10%. O aumento da oferta resultou em estabilidade nos preços em comparação a 2016. A diária em um dois quartos em Copacabana, por exemplo, fica entre R$ 500 e R$ 700, mesmo valor do ano passado.

— Os moradores do Rio não tinham esta cultura de alugar apartamento e descobriram as vantagens com as Olimpíadas. Além disso, antes dos jogos, a Barra não tinha muita procura, mas graças à visibilidade e à infraestrutura, o bairro agora entrou na rota dos turistas — explica o diretor do Creci-RJ, Laudimiro Cavalcanti, lembrando que a Zona Oeste atrai mais as famílias do que os solteiros, que preferem a Zona Sul.

Para quem for aproveitar o feriado em terras fluminenses, Cavalcanti diz que é bom colocar o seu bloco na rua logo, já que 80% das unidades disponíveis para o período já foram alugadas. Também graças às Olimpíadas, ele acredita que aumentou o interesse dos estrangeiros pela cidade.

Entre os proprietários, é consenso que a temporada garantiu bons negócios. Em geral, os contratos foram fechados pelos mesmos valores praticados no ano passado. Ou seja, não deu para aumentar o lucro, mas os locatários também não sofreram com a desvalorização que ronda o mercado imobiliário. O biólogo Luis Fellipe já garantiu que três dos quatro apartamentos que ele aluga dentro desta modalidade sejam ocupados no feriadão.

— Apesar de sentir que a procura está mais baixa em relação aos anos anteriores, consegui clientes rapidamente por causa da minha reputação entre os hóspedes antigos — comemora ele, que fechou pacotes de vários dias em dois conjugados em Ipanema e um dois quartos em Copacabana, por valores em torno R$ 2.700 cada. — Apesar dos bons resultados, optei por não aumentar os preços por medo de não conseguir fechar negócio.

Nos próximos dias, Fellipe espera encontrar um hóspede para o apartamento restante, localizado na Lapa. No caso do imóvel, ele conta ter caído numa “armadilha” de um site de locações.

— O sistema me sugeriu um preço e, quando me dei conta, tinha aceitado uma oferta abaixo dos valores praticados na temporada. Então, cancelei a reserva para fechar um pacote compatível com a realidade — afirma ele, que só aceita ofertas para o mínimo de cinco dias, durante o carnaval.

A psicóloga Patricia Silvia fez a mesma observação que Fellipe. Ela fechou, no mês passado, uma estadia de cinco dias para o seu apartamento de três quartos no Leblon, cobrando os mesmos valores do ano passado (R$ 1.000 por dia), mas notou que alguns sites de anúncio estão confundindo os proprietários.

— Tenho observado que esses sites sugerem preços mais baixos que a realidade do mercado. E como tem muita gente nova neste ramo, boa parte não tem essa noção — comenta ela. — Mas os proprietários devem se lembrar de que o mercado de temporada está bom e eles terão gastos, como reparos e luz, ao longo do ano.

Nos últimos três anos, nos meses de janeiro e fevereiro, o Rio é o estado mais buscado para temporada no Brasil, de acordo com o portal de imóveis ZAP. Segundo o gerente de Inteligência de mercado da companhia, José Rafael Zullo, 63% dos interessados em alugar um imóvel por temporada são do próprio estado do Rio, 16% são de Minas Gerais e 10% são de São Paulo.

A jornalista Paloma Mesquita comprova este dado. Moradora de Vicente de Carvalho, ela procura um quarto para alugar na Zona Sul ou no Centro para cinco dias de carnaval. Seu objetivo é evitar o deslocamento até a Zona Norte e aproveitar seus blocos preferidos bem de perto.

— Estou procurando um imóvel para dividir com uma amiga. Até o momento, os preços estão dentro do que eu imaginava — conta ela.

Ainda segundo o levantamento do ZAP, 61% dos clientes buscam apartamentos e 33%, casas.

Edson Pires, diretor-geral da Sawala Imobiliária, diz que grande parte dos inquilinos deseja apartamentos de sala e dois quartos, decorados e com armários planejados.

— E, de preferência, com vista para a praia. Algumas famílias inteiras alugam estes imóveis, principalmente os estrangeiros, que pedem sempre para ficar de frente para o mar — revela ele.

Para quem opta pela temporada como fonte de renda, uma boa notícia é que a crise econômica não fez com que as viagens de lazer fossem riscadas dos planos dos brasileiros. Além disso, se a situação financeira está mais apertada, alugar imóveis surge como uma alternativa mais barata às diárias dos hotéis.

OPORTUNIDADE NA CRISE

Uma pesquisa do site AlugueTemporada reforça a tese. Segundo o levantamento, 79% dos entrevistados mantiveram os planos de viagens, embora tenham buscado uma melhor relação custo-benefício, como alugar um imóvel no destino, na hora de escolher a hospedagem.

No Rio, este comportamento fica ainda mais latente. Afinal, como destaca a diretora de Marketing do AlugueTemporada, Mariana Bastos, trata-se da décima cidade mais procurada do mundo por meio do sistema.

— E a gente tem percebido que, para o mês de fevereiro, a estadia média é de seis noites, fechada por um grupo médio de cinco adultos, sendo 91% das reservas sem criança — conta ela, sobre o perfil dos hóspedes.

Outra características observada por Mariana é que o público não abre mão de pechinchar. Então, os proprietários precisam ficar atentos na hora da negociação para não perder os clientes.

— Em média, cada usuário consulta seis contatos de diferentes proprietários para a mesma data — afirma ela.

Confira os valores das diárias:

COPACABANA

Conjugado: R$ 250 a 350
Quarto e sala: R$ 350 a R$ 500
Dois quartos: R$ 500 a R$ 700
Três quartos: R$ 700 a R$ 1.000

IPANEMA/LEBLON

Conjugado: R$ 350 a R$ 400
Quarto e sala: R$ 450 a R$ 550
Dois quartos: R$ 600 a R$ 800
Três quartos: a partir de R$ 800

CENTRO, GLÓRIA, CATETE

Quarto e sala: R$ 250 a R$300
Dois quartos: R$ 300 a R$ 400
Três quartos: R$ 400a R$ 550

BARRA

Quarto e sala: R$ 300 a R$ 350
Dois quartos: R$ 400 a R$ 550
Três ou mais quartos: R$ 600 a R$ 1.000

ANGRA

Casa com quatro quartos (Praia Grande): R$ 1.500 a R$2.500

PARATY

Casa com dois quartos (Centro): R$ 700 a R$ 1.000

ARRAIAL DO CABO

Casa com um quarto (Prainha e Praia Grande): R$ 350 a R$ 400

BÚZIOS

Casa com cinco quartos (Geribá): R$ 2 mil a R$ 4.500

Fonte: Jornal O Globo - 06/02/2017