<




Geração Z dita as tendências do mercado imobiliário

A facilidade de acesso à informações e também de compartilhamento de ideias têm contribuído para acelerar diversos processos na nossa sociedade. E o mercado imobiliário vem sendo beneficiado com essas mudanças. Hoje, o sonho de ter a casa própria ou ir morar de aluguel e sair da casa dos pais têm sido realizado com maior frequência. Os jovens, que fazem parte da conhecida Geração Z, nascidos a partir de meados da década 90, compartilham suas vidas em redes sociais, suas experiências e conquistas, e essa troca de informações inspiradora trazida por esse fenômeno está fazendo com que a parcela de jovens que movimenta o mercado imobiliário seja extremamente significativa e venha a se tornar um importante pilar para o crescimento do setor.
O mercado hoje está diferente em muitos aspectos e uma ótima ferramenta utilizada pelos corretores e também por outros profissionais de venda é a segmentação de seu público, visando nichos de mercado mais específicos. Sendo que muitos desses grupos têm se expandido abrangendo um número maior de indivíduos, e outros pelo contrário reduziram seu raio de alcance. Por exemplo, existe um público que incluiu os aposentados e pensionistas, que se encontram numa faixa etária elevada e buscam muito mais conforto e comodidade em áreas mais afastadas dos centros comerciais. Há também um público que se interessa por casas com mais cômodos para acolher a família grande e busca conciliar conforto com a praticidade e lazer. E tem o nicho que vem aquecendo o mercado e ditando as novas tendências, o público jovem. Hoje esse perfil procura uma casa bem próxima do trabalho ou da faculdade, que ajude na sua mobilidade, facilitando sua rotina diária e também gerando menos estresse.
– Primeiramente, vivemos hoje um momento onde o corretor que antes achava que conseguia deter todas informações, e que o cliente acabava ficando dependente das informações que ele passava, deve saber que quando os clientes chegam interessados em um imóvel, eles sabem muito mais através de pesquisas realizadas, com informações sobre o bairro, apartamento e mobilidade. Se o corretor não for transparente, ele será descartado nos primeiros contatos. O grande ponto hoje é a venda consultiva, e ela passa do pressuposto que o profissional deve criar um lado empático com o cliente, tem que entender as dores do cliente e antecipar o que ele espera – relata o professor da Fundação Getúlio Vargas e Diretor Executivo da Canal Vertical, Roberto Kanter.
A metragem de um imóvel já foi considerada um ponto crucial para uma fácil negociação. Os clientes ouviam a palavra amplo e logo o imóvel já lhes despertava interesse, afinal era tudo que mais buscavam, uma cozinha espaçosa, uma grande varanda ou quintal. Os jovens dessa nova geração trazem para esse mercado uma mudança com relação ao tamanho das unidades, afinal para uma gestão mais tranquila e para redução de custos, a preferência é cada vez maior pelos imóveis compactos. Muitas empresas hoje investem em soluções para o melhor uso do espaço.
– Eu reparo bastante na infraestrutura do local, na modernidade e elegância do espaço, e se esse foi construído de maneira inteligente, de modo a tornar a vida mais prática, pois o ritmo na cidade é muito agitado – relata Beatriz Araújo, de 23 anos, estudante de pedagogia, que alugou um imóvel em Jacarepaguá.
Outra característica crucial para escolha de um imóvel é a sua localização. Se ele fica próximo de lojas de conveniência, mercado, metrô, academia, e se tem uma farta malha viária para mobilidade. Como o espaço é dividido, se tem boa iluminação e uma boa vista pelas janelas. Quando perguntada sobre as características que mais chamam atenção em um imóvel, Beatriz Araújo confirma que a localização é uma das principais, além de tudo que facilita a vivência na região por conta da correria e agitação do dia a dia. Ela alugou um imóvel na Zona Oeste do Rio de Janeiro.
– Escolhi este lugar por conta de ficar ainda próximo da minha família, e além do fato de que o custo de vida na região está dentro das minhas possibilidades. O lugar é seguro, consigo chegar tarde em casa e além disso tem uma boa malha viária.
Hoje os clientes são mais exigentes em relação à qualquer prestação de serviços. O que pesa normalmente é a atenção do corretor de imóveis e a empatia. O relacionamento do profissional com o cliente é fator fundamental. Beatriz Araújo explica as características que o público mais jovem espera que o corretor de imóveis apresente:
– O corretor precisa ser um profissional atencioso, educado, e que receba bem as pessoas para que os clientes se sintam acolhidos e em casa antes mesmo de fechar um negócio. Ele deve entender bem as necessidades dos clientes, que estude o perfil para poder buscar um espaço que esteja condizente com o que ele espera. É essencial nas negociações e fundamental para tirar toda e qualquer dúvida sobre o imóvel.
Muitas vezes se tem o costume de medir o sucesso levando em conta a quantidade de bens que você possui. É imposto desde a infância a ideia de que deve-se estudar, se aperfeiçoar e juntar dinheiro para comprar um bom carro e uma boa moradia, mas esse não reflete muito bem o pensamento da Geração Z. A preferência é pelo fácil acesso a bens do que realmente a façanha de comprá-los e por isso o aluguel acaba sendo uma boa forma de unir uma solução para seus interesses. A locação reforça a ideia de liberdade, deixando possível que eles mudem de cidade, até de país mais facilmente, caso não estejam gostando do lugar, ou até mesmo para explorar outras localidades. E em vez de iniciar um investimento grande, como de uma casa própria, os jovens preferem investir em viagens, lazer e até mesmo aperfeiçoamento profissional e o mercado imobiliário precisa se adequar a esse dinamismo.
Quando o assunto é compra de imóveis a localização ganha ainda mais peso. Afinal, sem a flexibilidade da mudança trazida pelo contrato de aluguel, os clientes devem ter atenção extra e o corretor de imóveis precisa estar preparado para passar todas as informações sobre a localização da unidade. Cássia Peixoto adquiriu um apartamento no bairro de Bangu, quando tinha 22 anos e declara que o entorno do imóvel foi fundamental para a escolha:
– A vizinhança conta sim, inclusive já era conhecida no que diz respeito ao comércio e os bairros próximos e a mobilidade urbana. Os familiares mais importantes moram bem perto e isso foi extremamente relevante.
A internet tem alterado o processo de negociação, tanto pelo fato da facilidade de comunicação que a ferramenta traz quanto pelas informações que podem ser obtidas com uma simples busca. O corretor necessita utilizar a tecnologia a seu favor pois cada vez mais os processos estão sendo digitalizados, e isso traz algo muito importante que os jovens tanto buscam que é a agilidade nos trâmites, economizando o bem mais precioso do século, o tempo.
– O vendedor deve estar melhor preparado, deve entender que o cliente tem menos paciência e tempo, e no primeiro contato deve tirar o máximo de informações possível e não tentar fugir dessas informações. É muito comum as pessoas falarem o que elas querem, então o vendedor deve seguir o manual das 4 perguntas, Pra onde? Pra quando? Pra quem? Para o que? Essas quatro perguntas, se forem feitas no primeiro contato, ele consegue entender através delas os reais desejos do possivel comprador, podendo entregar exatamente o que o cliente espera. O novo corretor de imóveis deve estar consciente que o cliente está munido de um grande número de informações – explica o professor Roberto Kanter.
O mercado imobiliário, com o advento da geração Z, exige que o profissional cada vez mais se torne flexível e com isso possa se adaptar às mudanças que o setor vem sofrendo e possa com isso atender a todas as expectativas desse público.
– Todos nós queremos ter alguém que resolva nosso problema, e todo prestador de serviço é um solucionador de problemas, e o corretor deve ser visto dessa forma, e não como alguém que não tem habilidade. Se ele entender isso, ele melhora de maneira absoluta a capacidade de negociação – diz Kanter.
Nesse cenário, o trabalho do corretor, é muito importante para atender com eficiência as demandas da Geração Z. Cássia Peixoto foi guiada por uma corretora de imóveis durante todo o processo de compra do imóvel e relata que ela foi essencial durante a negociação:
– Todo o processo foi feito diretamente com uma corretora. Foi ótimo porque não tivemos que nos preocupar com quase nada, apenas entregamos os documentos solicitados depois da simulação e logo em seguida pagamos e garantimos a nossa unidade.