Entenda o atual momento em que as instituições financeiras estão reduzindo as taxas de juros do financiamento imobiliário e como o corretor de imóveis pode aproveitar este momento favorável para ampliar as possibilidades de negócios.

Nos últimos meses foi vista com maior clareza uma “guerra dos bancos” afinal as principais instituições financeiras, sejam privadas ou estatais, têm divulgado constantemente a redução de juros na concessão de crédito imobiliário. São números tão significativos que já estão influenciando positivamente o mercado imobiliário. E isso é bom para o corretor de imóveis, pois são favoráveis as condições de ampliar as oportunidades de negócios.
As reduções na taxa básica de juros e a liberação de novos modelos de cobrança do juros para o crédito imobiliário fazem com que o sonho da casa própria se aproxime cada vez mais da realidade, afinal o consumidor se vê atraído pela possibilidade de uma economia que pode chegar a 30% em cada parcela.
Não só as taxas de juros têm baixado mas o teto de financiamento aumentou, possibilitando aqueles que não possuem saldo suficiente, consigam dar entrada no imóvel.
Em agosto de 2019, a Caixa Econômica Federal anunciou uma modalidade até então inédita do mercado imobiliário, com as taxas de juros para financiamento imobiliário indexadas à inflação, com valores partindo de 2,95% ao ano mais IPCA (para funcionários públicos) e chegam a 4,95% mais IPCA, dependendo do relacionamento com o banco, valor de entrada e outros fatores.
Já em dezembro, o Banco do Brasil divulgou os detalhes da sua linha de crédito imobiliário indexado ao índice Nacional de Preços ao Consumidor Imobiliário (IPCA). Como diferença da modalidade da Caixa Econômica Federal, disponível para todos os públicos, no Banco do Brasil o modelo é exclusivo para clientes com renda a partir de R$ 10 mil. Os juros no Banco do Brasil começam em 3,45% ao ano mais IPCA.
Porém, a forma mais comum são as linhas ligadas à Taxa Referencial, e é justamente essa modalidade que vem tendo a redução dos juros e causado uma espécie de disputa entre as instituições financeiras. Hoje, todo contrato de financiamento que seja feito com base no Sistema Financeiro de Habitação (que inclui imóveis de até 1,5 milhão), tem correção de acordo com a Taxa Referencial que atualmente se encontra zerada.
Afinal, o que determinou a baixa dessas taxas você certamente deve se perguntar. Além da taxa Selic estar em seu menor índice histórico, a baixa da inflação tem feito os principais bancos se movimentarem.
A redução nas taxas de financiamento imobiliário pode ser um grande incentivo para a portabilidade de contratos antigos, assim estes poderão migrar a fim de conseguir se beneficiar de novas e menores taxas. Porém, não são somente as taxas de juros a principal mudança. Tendo em vista o crescimento da tecnologia, com grande participação na vida do corretor e dos indivíduos da sociedade, os bancos também resolveram aproveitar oferecendo por exemplo que financiamentos imobiliários fossem contratados diretamente pelo aplicativo da intituição financeira.
Muitas outras vantagens são oferecidas principalmente para que clientes não abandonem o financiamento, afinal é vontade também do banco que o cliente adquira e que consiga ter condições para pagar. Como informa o Banco do Brasil através da Assessoria de Imprensa:
– Oferecemos a contratação completa do financiamento imobiliário através do App BB, onde apenas a assinatura é feita presencialmente. No financiamento imobiliário, o Banco do Brasil oferece a seus clientes até 180 dias para o pagamento da primeira parcela, além do “mês-pula”, em que há possibilidade de escolher um mês por ano sem a cobrança da parcela, que é diluída ao longo do cronograma.

A crescente no Mercado Imobiliário

O mercado imobiliário está no início de um processo de retomada que promete ser uma longa crescente do setor e o sonho da casa própria pode estar cada vez mais próximo de se tornar realidade para bastante gente. Levando em consideração que o mercado passou por uma crise há não muito tempo, as novas condições de financiamento acabam trazendo um clima bem otimista. As instituições financeiras, por exemplo, devem ver nesse momento uma oportunidade de estar mais próxima dos corretores de imóveis e prolongar seu relacionamento.
Segundo Romero Gomes de Albuquerque, diretor de Crédito Imobiliário do Banco Bradesco, o motivo para o otimismo atual no setor é um conjunto de fatores, entre eles: taxas de juros reduzidas, baixa inflação, redução de estoque das incorporadoras e consumidor mais confiante:
– O mercado imobiliário dá sinais positivos de reação, de acordo com dados da ABECIP (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), tivemos entre janeiro a outubro de 2019 contra o mesmo período do ano passado um crescimento de 34 % saindo de R$ 46,6 Bilhões em 2018 para R$ 62,3 Bilhões em 2019.
E ainda segundo o diretor do Bradesco, somente em 2019 a instituição já liberou R$14,8 bilhões, um crescimento de 21% em relação ao ano anterior.
Já a diretora do Itaú Unibanco, Cristiane Magalhães prevê uma forte retomada do segmento:
– O setor imobiliário cresce cada vez mais no cenário econômico brasileiro. Diante disso, o Itaú Unibanco registrou alta de 32% na concessão de crédito para financiamentos imobiliários para pessoas físicas de janeiro a setembro de 2019, em comparação ao mesmo período do ano anterior. O mercado imobiliário está crescendo, a compra de um imóvel é uma decisão relevante na vida das pessoas. É uma oportunidade de viabilizar sonhos e estabelecer uma relação de longo prazo. Além, é claro, de contribuir para a retomada do setor.

Linhas de Financiamento

Bradesco
Taxas a partir de 7,30% a.a. + TR para imóveis residenciais novos ou usados. O prazo de financiamento é de 360 meses (30 anos). O cliente pode financiar até 80% do valor do imóvel.

Itaú
Os clientes podem encontrar taxas a partir de 7,45% + TR em todas as categorias,
variando de acordo com o perfil do cliente e do imóvel. Varia de acordo com o valor do
imóvel e o percentual de financiamento vai até 82% do valor do bem. Prazo máximo: 360
meses.

Banco do Brasil
As taxas, reduzidas em 30 de setembro para um patamar a partir de 7,40% a.a. + TR,
variam de acordo com o perfil e segmentação dos clientes. Lançou ainda, de forma
inédita, a “Taxa por prazo”, em que o cliente pode optar por diferentes prazos na contratação do seu financiamento imobiliário, que vão de 60 a 420 meses. O BB financia até 80% do valor de avaliação de imóveis residenciais e comerciais

Caixa Econômica Federal
Taxa mínima para imóveis residenciais de 6,75% ao ano mais TR, para os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SPBE) dentro das modalidades SFH e SFI (Sistema de Financiamento Imobiliário). O maior prazo de parcelamento é de 420 meses (35 anos).

Modalidades de Financiamento Imobiliário:

Sistema Financeiro da Habitação (SFH)

É a modalidade de financiamento imobiliário que foi criada e regulamentada pela lei nº 4.380 de 1964, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional brasileiro podendo ser solicitada para construção, aquisição ou reforma de imóveis residenciais. A maioria dos financiamentos se enquadra nas características do SFH, pois contempla imóveis mais baratos.
O limite máximo do financiamento é de 80%, o CEM (Custo Efetivo Máximo) não poderá ultrapassar a 12% ao ano, e o valor do imóvel em qualquer estado do Brasil não pode ultrapassar R$ 1,5 milhão. Dispõe da Caixa Econômica como maior intermediária desse sistema, desfrutando inclusive do Programa Minha Casa, Minha Vida como uma das suas principais iniciativas, e tendo o FGTS e a caderneta de poupança como as duas fontes de recursos mais utilizados. Em se tratando de financiamento pela Caixa, essa categoria tem maior proeminência devido ao prazo máximo de pagamento das parcelas que pode chegar até 35 anos.
Algumas características quanto ao imóvel também precisam ser obedecidas na aquisição do SFH. A unidade precisa: ser residencial e estar em área urbana; estar registrada no Cartório de Registro de Imóveis competente; não ter sido negociada com o uso do FGTS nos últimos três anos, tanto em sua aquisição quanto em sua construção; ter um valor igual ou menor ao estipulado pelas regras do sistema; estar localizada no mesmo município em que o comprador exerça a sua ocupação principal ou no município em que o comprador resida ou trabalhe por, pelo menos, um ano.
Já para utilização do FGTS para abater o valor financiado também é necessário cumprir alguns requisitos, são eles: ter pelo menos três anos de trabalho com carteira assinada sob o regime do FGTS – que podem ser somados períodos de trabalho consecutivos ou não, em uma ou mais empresa; não ser titular de nenhum outro financiamento imobiliário pelo SFH; não ser proprietário de nenhum outro imóvel residencial urbano, seja em construção ou concluído. Sobre sua utilização cabe salientar que é possível somar o saldo do FGTS de mais de um comprador, desde que ambos respeitem as regras citadas.

Sistema Financeiro Imobiliário (SFI)

Modalidade regulamentada pela Lei 9514/97 – que institui a participação de instituições financeiras – criada como alternativa para os perfis que não se enquadram nas exigências do SFH. Esse sistema atende pessoas físicas e jurídicas e não há limite no valor do financiamento nem no preço do imóvel, podendo também ser utilizado para compra de um segundo imóvel ou de um imóvel comercial, sendo geralmente mais utilizado por quem pode pagar parcelas com valores maiores.
Diferente do SFH, os recursos utilizados para o financiamento provêm de grandes investidores institucionais, como fundos de pensão e bancos de investimento, e neste caso, tanto a porcentagem financiada quanto a taxa aplicada é de livre negociação.