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Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes

Casado e pai de dois filhos, Eduardo Paes nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 14 de novembro de 1969. Formado em Direito pela PUC-Rio, iniciou sua carreira pública cedo, aos 23 anos, quando, em 1993, assumiu a Subprefeitura de Jacarepaguá e da Barra. Em 1996, aos 27 anos, elegeu-se vereador. Foi eleito deputado federal duas vezes. Em 2000, assumiu a Secretaria Municipal de Meio Ambiente. Em 2007, ano dos Jogos Pan-Americanos, foi nomeado Secretário Estadual de Turismo, Esporte e Lazer. Em 1º janeiro de 2009, tomou posse como Prefeito do Rio e, em outubro de 2012, foi reeleito.

Nesta entrevista exclusiva concedida à Revista Stand, Paes fala das transformações pelas quais passa o Rio de Janeiro, as intervenções urbanísticas e os novos meios de transporte, e também destaca o mercado imobiliário do município. Confira o que pensa o prefeito da Cidade Maravilhosa.

1) O ano de 2016 é especial para o Rio de Janeiro. Pela primeira vez uma cidade da América do Sul realizará uma edição dos Jogos Olímpicos, o que mostra a relevância e credibilidade do município. Como o sr. avalia a importância dos investimentos realizados para os jogos como legado para a cidade?

Os Jogos Olímpicos de 2016 serão os jogos do legado. Em nenhuma outra cidade-sede houve tantas melhorias para a população “aproveitando” as Olimpíadas. Os cariocas terão uma nova cidade após a realização das competições, melhor para se viver.  Após 2016, os cariocas terão uma cidade mais moderna, inclusiva e desenvolvida. Com Barcelona foi assim. A cidade espanhola era uma antes dos Jogos e, após a maior competição esportiva do mundo, ganhou uma nova dimensão. No Rio decidimos seguir este modelo de legado em que a cidade se serve dos Jogos, e não o de que os Jogos se servem da cidade.

E os cariocas já podem vivenciar o momento de transformação da cidade. A instalação dos BRTs, a construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLTs) e a revitalização da Região Portuária são alguns exemplos de obras que não precisariam ser realizadas para atender o público que frequentará as competições. No entanto, graças a conquista dos Jogos,  conseguimos investimentos para concretizar essas intervenções que são muito importantes para a população. Além disso, a Olimpíada vai deixar um legado intangível, que mostra a capacidade de gestão, de entrega e de economia de recursos públicos. E isso é inédito na história das Olimpíadas. Com a utilização de parcerias público privadas, quase 60% do total do orçamento dos Jogos vem da iniciativa privada.

2) O país atravessa um cenário de turbulência na economia. No segmento imobiliário, na sua visão, quais são as ações que podem ser feitas para dar novo gás ao mercado imobiliário carioca, fundamental para um setor econômico ativo e próspero?

Apesar desse cenário turbulento da economia mundial, o Rio de Janeiro é a cidade do momento, o lugar para se investir e se morar. Todas as transformações pelas quais a cidade está passando beneficiam também o setor imobiliário.

3) Recentemente a agência de risco Standard & Poor’s, apesar de ter rebaixado a nota de crédito do município, manteve o grau de investimento da cidade do Rio de Janeiro, registrando um desempenho melhor que o país como um todo. O que foi fundamental para o município continuar com o status de bom pagador e o que representa em termos de investimentos na cidade?

Aqui, na prefeitura, nós fazemos o dever de casa. Buscamos investimentos, negociamos redução de taxas de juros e evitamos desperdícios. Acho que a situação do Brasil é mais crítica do que nos últimos anos, mas acredito que seja passageira.

4) Para o trabalho do corretor de imóveis investimentos que geram a modernização da cidade são produtivos para o seu cotidiano profissional, pois valorizam os bairros e os imóveis, estimulando o mercado imobiliário. De acordo com o planejamento urbano, instituído pelo Plano Diretor, quais são as regiões com mais tendências de investimentos e crescimento no município do Rio de Janeiro?

O Plano Diretor foi amplamente discutido com a sociedade, aprofundando as questões ambiental, habitacional, social e de transporte. A preservação da paisagem e o controle do uso e da ocupação do solo para combater irregularidades e prevenir situações de risco também são contemplados de maneira mais rigorosa. A prefeitura tenta manter um ordenamento para evitar que uma região fique muito adensada, com crescimento desordenado. Nossos esforços estão concentrados em áreas que, até então, eram esquecidas pelo poder público. A maioria dos nossos investimentos está nas zonas Oeste e Norte, como os BRTs, as Clínicas da Família, as novas escolas, e novos equipamentos culturais e esportivos. Além disso, a revitalização da Região Portuária faz renascer um local antes abandonado. Devolvemos ao Rio uma área histórica que também, aos poucos, começa a atrair novos moradores.

5) Os conceitos sobre sustentabilidade têm cada vez mais tomado conta dos debates sobre o futuro das cidades. Ainda sobre o Plano Diretor do Rio de Janeiro de que maneira o desenvolvimento sustentável está inserido no planejamento urbano do município?

Sou presidente do C-40, grupo formado por grandes cidades do mundo todo para debater e combater as mudanças climáticas. Assumi o lugar que era ocupado pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg. No Rio de Janeiro, a sustentabilidade é uma preocupação constante. Somos uma cidade em transformação. E esse debate é positivo, esse debate é bom. Prova disso é que criamos recentemente o Rio Resiliência – uma iniciativa inédita que tem como um dos seus objetivos estudar o fenômeno das mudanças climáticas e deixar a cidade mais bem preparada para transformações futuras.

6) Um destaque na transformação da cidade do Rio de Janeiro é a região do Porto Maravilha, que se revitalizou e hoje é um importante espaço no que tange ao turismo, mas também ao segmento imobiliário. É uma preocupação da Prefeitura além de incentivar a construção de edifícios comerciais também fomentar a construção de unidades residenciais na região do Porto?

Tanto a Região Portuária quanto o Centro Histórico do Rio passam por um momento de revitalização urbanística e valorização de sua história e cultura. Prédios históricos estão sendo revitalizados e ganhando novos usos. Esta região também está oferecendo muita cultura para os cariocas. Há dois anos, inauguramos o Museu de Arte do Rio (MAR) e, este ano, entregamos à população a Praça Mauá totalmente recuperada e integrada ao mar. Quase que em frente ao MAR, até o fim do ano, a cidade ganhará o Museu do Amanhã, que apresentará uma visão de futuro e sustentabilidade para os visitantes. Tudo isso não seria possível sem as parcerias público-privadas, que estão financiando todas as intervenções na região. Com a PPP do Porto Maravilha, a maior do Brasil, estamos reurbanizando uma área de cinco milhões de metros quadrados, praticamente sem dinheiro público. Depois de muito tempo de ostracismo, os cariocas terão, enfim, o Centro da cidade de volta, não só como local de trabalho, mas como área residencial, cultural e turística. Esses investimentos já atraíram grandes empreendimentos imobiliários residenciais e comercias. Além disso, a prefeitura ouviu a sociedade civil para elaborar um plano de habitação de interesse social para a região. Queremos que o novo Porto seja um espaço para todos. Por isso, aprovamos na Câmara um pacote de incentivos à produção de residências no Porto Maravilha.

7) A cidade do Rio de Janeiro passa talvez pela maior transformação em termos de mobilidade urbana da sua história, com diversas iniciativas que ligam a cidade como um todo, como o Metrô até a Barra da Tijuca, os BRTs e o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT).  Quando todas as obras forem concluídas de fato essa modernização pode melhorar o conforto do cidadão carioca no trajeto de ida e volta do trabalho, faculdade, etc.?

As pessoas costumam comparar o meu período de governo com o do ex-prefeito Pereira Passos em relação ao volume de obras e transformações da cidade. Se eu conseguir deixar um legado pelo menos parecido, já serei um homem realizado. Acho que nos parecemos no sentido de enxergar à frente, de visualizar o Rio de Janeiro que queremos. E na capacidade de trabalho, essencial para transformar o sonho em realidade. Só na área de mobilidade teremos 250 quilômetros de BRT e 26 quilômetros de VLT. Em 2009, só 18% dos cariocas utilizavam transporte de alta capacidade, o que era um absurdo. Em 2016, esse número chegará a 63%. Isso não aconteceria, é verdade, sem a realização das Olimpíadas. Isso é importante ressaltar de novo: usamos os Jogos para tirar do papel projetos importantíssimos para a cidade. Já construímos dois corredores de BRTs, a Transoeste e a Transcarioca, e vamos entregar antes das Olimpíadas a Transolímpica. Também vamos entregar e dar continuidade a uma série de obras que estão mudando a cara do Rio, como o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e a duplicação do Joá. Tudo isso beneficia a mobilidade urbana. Hoje, o Rio tem a maior rede de ciclovias do Brasil: 400 quilômetros. Até o fim de 2016, queremos que este número chegue a 450 km.  Transformar esta cidade e prepará-la para receber os Jogos Olímpicos é um desafio incrível.

8) A Região da Barra da Tijuca apresentou um crescimento extraordinário nos últimos anos. Podemos dizer que foi uma das regiões que mais se expandiram na cidade, com um plus de concentrar ainda grande parte das construções para as Olímpiadas. Uma delas, a Vila Olímpica, após os Jogos se transformará num dos maiores empreendimentos imobiliários já lançados na cidade. Gostaria que o senhor citasse a importância deste empreendimento para o mercado imobiliário do município e a vocação da Barra da Tijuca como bairro que concentra um grande número de lançamentos imobiliários.

A Barra da Tijuca e Jacarepaguá fazem parte da minha trajetória política. É nesta região que fiz meu ‘estágio’ para ser prefeito do Rio. Como subprefeito da Barra e de Jacarepaguá, pude conhecer as demandas dessa região tão complexa e acompanhar as mudanças pelas quais passou nas últimas décadas. A Vila dos Atletas é mais um exemplo de confiança dos empresários no futuro de nossa cidade. Foram construídos 31 prédios de 17 andares com um total de 3.600 apartamentos, num empreendimento de alto padrão, sem um centavo do dinheiro público. O local será a residência oficial de 15 mil atletas e membros de comissões técnicas durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos.

9) A cidade cresce, mas não deixa de lado o charme do seu cenário mais tradicional. A volta do Bondinho de Santa Teresa, que era um grande desejo da população local, confirma esse fato. É uma preocupação da Prefeitura modernizar a cidade, mas também manter as características deste cenário mais clássico da cidade?

O Rio de Janeiro é uma cidade muito rica em termos de patrimônio histórico e cultural. Por isso, todo o processo de revitalização da cidade está resgatando o passado e o presente. Este ano completamos 450 anos, e nossa história está por todos os cantos da cidade, das zonas Sul à Oeste, passando pelo Centro Histórico. A cidade tem mais de 3.000 bens tombados nas três esferas (municipal, estadual e federal) e muitos cariocas não conhecem a maioria deles. Valorizar nossa história e nossa cultura é um dever de todo o carioca. Precisamos conhecer nossos tesouros. Este é o primeiro passo para a valorização e conservação da nossa história viva.

10) O Parque Madureira representou uma grande novidade para a Zona Norte da cidade, proporcionando lazer para os moradores de diversos bairros e se tornou mais um point carioca. Como o sr. avalia a importância deste grande Parque como fonte de valorização do subúrbio carioca?

Madureira é o coração do Rio no subúrbio. Antes do Parque Madureira só se pensava em lazer na Zona Sul. Todo mundo queria no seu bairro o que tinha na região “nobre” da cidade. Hoje esse parâmetro mudou. O Parque Madureira resgatou o orgulho do suburbano. Tem gente saindo da zona sul e de outros municípios para ter seu lazer no Parque Madureira. É o terceiro maior parque da cidade, atrás apenas do Parque do Flamengo e da Quinta da Boa Vista. Com mais de 90 mil metros quadrados, o Parque Madureira foi inaugurado em 2012. Desde então, se transformou no principal ‘point’ da região, atraindo a turma do samba, do skate, do hip hop, do charme, além de famílias e amigos que utilizam o espaço para praticar atividades físicas, para caminhar, se encontrar ou simplesmente contemplar a beleza do local. Até o ano que vem, o Parque vai crescer ainda mais e chegará à Avenida Brasil, passando por mais oito bairros. Em outubro, já entregamos para população parte desta expansão, com até uma praia artificial. Hoje, o local já é um dos programas preferidos dos moradores da região