Metrô chega ao Leblon

    O tatuzão, que perfura a Linha 4 do metrô, passou por baixo do canal do Jardim de Alah, considerado um ponto crítico das obras. A área da futura estação foi alagada com 10 mil m ³ de água para que o equipamento avançasse com segurança. Uma solução complexa de engenharia abriu as portas do Leblon para o tatuzão das obras do metrô. Para passar sob o canal do Jardim de Alah - um dos trechos críticos da Linha 4 -, a gigantesca máquina literalmente navegou. A área da futura estação Jardim de Alah foi inundada com dez mil metros cúbicos de água, o equivalente a quatro piscinas olímpicas. A medida foi tomada para compensar diferenças de pressão durante a perfuração do túnel sob o canal, algo que, segundo o Clube de Engenharia, poderia provocar o desvio de rota do tatuzão ou mesmo um acidente. A etapa cumprida no cronograma previsto foi comemorada ontem pelo governador Luiz Fernando Pezão, durante uma visita ao canteiro de obras. Pezão voltou a criticar o relatório do Tribunal de Contas do Estado (TCE) que apontou o risco de atraso da entrega do metrô antes das Olimpíadas. No documento, que reúne dados coletados até dezembro passado, a estação do Jardim de Alah é apontada como um dos trechos críticos, devido à proximidade com o canal. - O relatório do TCE é antigo. Estamos dentro do cronograma. O tatuzão atravessou o canal, o que era uma dúvida para todos nós. Vencemos um dos momentos mais difíceis. É impressionante ver o tatuzão chegando aqui por dentro da água - disse o governador. TRAVESSIA FOI COMEMORADA COM ALÍVIO Somente a estação Gávea (perto da PUC) não será concluída antes das Olimpíadas, segundo o governo. No fim de 2013, ela foi excluída definitivamente do projeto para os Jogos. Na semana retrasada, o TCE iniciou uma nova auditoria sobre as obras, que só será encerrada em dezembro. O presidente do tribunal, Jonas Lopes, não comentou as declarações de Pezão. O secretário estadual de Transportes, Carlos Roberto Osorio, também se disse aliviado com a travessia do equipamento submerso. Ele comparou a tensão vivida com o "mergulho" do tatuzão aos problemas nas escavações em maio do ano passado, quando crateras se abriram na Rua Barão da Torre, no trecho entre Farme de Amoedo e Teixeira de Melo: - Já tivemos dois momentos desafiadores na obra. O primeiro foi a saída do tatuzão da estação General Osório, quando houve aquele problema na Rua Barão da Torre. Ali havia uma transição de solo rochoso para um solo de rocha e areia. O segundo momento, sob o Jardim de Alah, foi tão ou mais complicado, já que o tatuzão passou por uma área alagada. Presidente do Clube de Engenharia e especialista em solos, Francis Bogossian disse que o consórcio utilizou uma estratégia de compensação de pressão para evitar o desvio de rota do equipamento. - Essa técnica é moderna. Ao passar sob o canal, o tatuzão enfrentou muita pressão até chegar à parede da estação. Se a estação não tivesse sido inundada, o tatuzão encontraria um espaço vazio, onde a pressão seria muito menor e haveria risco da perda de controle. Por isso eles encheram a estação com água do próprio canal do Jardim de Alah. Chamado de compensação hidrostática, o método foi usado recentemente em Düsseldorf (na Alemanha), em Nanjing (na China) e em Nova York. Após escavar dois quilômetros desde a estação General Osório, o tatuzão está adiantado 40 dias no prazo, de acordo com o governo, e deve concluir o túnel da Linha 4 até dezembro. Segundo o consórcio responsável pelas obras, faltam quatro quilômetros de túneis para que o traçado do metrô esteja completamente escavado. Quatro estações já estão 100% escavadas (Antero de Quental, Nossa Senhora da Paz, São Conrado e Jardim Oceânico). O equipamento deve chegar à garagem da Avenida Visconde de Albuquerque, no Leblon, em dezembro. Lá, será feita a junção com o túnel que vem da Barra - e que está completamente escavado - com o túnel da General Osório. - A partir daí, a linha que será inaugurada para as Olimpíadas estará completa, e a obra entrará em fase de acabamento - disse o secretário. O tatuzão agora vai parar por 40 dias para manutenção, conforme previsto no cronograma. A Linha 4 do metrô entrará em operação em junho de 2016, quando os trens circularão experimentalmente, fora do horário do rush.   Fonte: O Globo - 22/07/2015