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Projetos hoteleiros de Eike Batista empacam e atormentam vizinhos na Glória e no Flamengo

Em vez de revitalização, cenários de abandono. Essa é a realidade de dois projetos hoteleiros do empresário Eike Batista na Glória e no Flamengo. Um cinco estrelas tradicional da cidade, o Hotel Glória hoje mais parece um esqueleto que assombra a vizinhança. As obras de remodelação, desaceleradas há cerca de um ano e meio, pararam de vez no começo de 2013, à espera de um novo investidor. Já no Morro da Viúva, o Edifício Hilton Santos, de 24 andares, que seria transformado em hotel, parece ter sofrido um bombardeio. A maioria das janelas dos 148 apartamentos está quebrada, e o prédio tem vários buracos na parede. Ao seu redor, o mato cresce, e o lixo se acumula. O ambicioso projeto do Glória Palace — novo nome escolhido para o estabelecimento — pretendia colocar o hotel entre os dez melhores do mundo e, entre outros itens, previa a criação de 346 quartos entre 68 a 114 metros quadrados. Incluía ainda restaurantes de alta gastronomia, lojas de grife, academia e piscina com vista da Baía da Guanabara. Para o projeto do Glória Palace, que seria um seis estrelas, Eike conseguiu em 2010 a liberação de R$ 190,6 milhões do fundo ProCopa, do BNDES. A previsão inicial era que o hotel entrasse em operação em abril deste ano, conforme consta do Portal Transparência da Controladoria Geral da União (CGU). Ainda segundo o site, a abertura do estabelecimento foi reprogramada para dezembro de 2015. De acordo com o BNDES, do total dos recursos, foram liberados R$ 50 milhões. O banco, no entanto, não disse se o empresário está devendo algum valor, por se tratar de informação sigilosa referente a um cliente. Vizinha sofreu com poeira na Glória Enquanto o projeto ainda é um sonho, quem mora ao lado vive um pesadelo. A escritora Alice de Oliveira vive no 11º andar do Edifício Itacolomy, colado ao Glória. Durante o período das obras, sofreu com a poeira, que acabou destruindo o sinteco do seu apartamento. Da área de serviço, de onde tinha a vista da piscina do hotel e de um enorme jardim, a visão que a escritora tem agora é melancólica. Resta apenas a “casca” (a fachada) do prédio. Outro transtorno herdado da obra é um tapume que cobre as janelas laterais: — Além de ter perdido a vista da Baía de Guanabara da janela lateral, perdi a ventilação. Perto da Glória, no vizinho bairro do Flamengo, outro projeto hoteleiro parado, herança da queda do império econômico de Eike Batista, não parece ter data para começar. Depois de ter sido desocupado com muita resistência dos antigos moradores, o Edifício Hilton Santos, do Clube de Regatas do Flamengo, foi vendido à REX em janeiro de 2012. A ideia era transformá-lo, ao custo de R$ 90 milhões, num hotel com funcionamento previsto para as Olimpíadas de 2016. Hoje, além da degradação do prédio e do entorno, há o temor de invasões. O Hilton Santos é vigiado 24 horas por seguranças. Segundo o vice-presidente de Patrimônio do Flamengo, Alexandre Wrobel, já foram feitas várias reuniões sobre o projeto, mas nada foi decidido. Procurada pelo GLOBO, a EBX, que reúne todas as empresas de Eike, informou que não falaria sobre a situação dos projetos dos hotéis. O empresário estaria tentando passar adiante o Glória, por R$ 450 milhões. Mas, segundo fontes do mercado, o valor do imóvel não ultrapassa os R$ 180 milhões. Apesar de não poder contar com os dois hotéis de Eike, a cidade terá a quantidade de leitos necessários para as Olimpíadas, segundo a ABIH. Pelas contas da associação, serão 55.300 leitos, quando o exigido pelo COI, por exemplo, é 40 mil. Com a meta atingida, o Rio vai precisar de apenas um navio, de 2.500 quartos, para os Jogos Olímpicos, como informou o jornalista Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Fonte: Jornal O Globo Online - 16/01/2014