Os imóveis mais exclusivos do mundo

Quanto custa morar em alguns dos pontos mais desejados do planeta? Depois que o ranking publicado pela revista inglesa “The Economist” mostrou que ano passado o Brasil teve a segunda maior valorização no preço dos imóveis entre 23 países (12,8%), atrás apenas dos Estados Unidos (13,6%), o Morar Bem foi apurar o preço de algumas das áreas mais exclusivas do mundo: de frente para a vista livre do mar de Ipanema e Leblon, dos badalados Central Park, em Nova York, e Hyde Park, em Londres, pertinho da Torre Eiffel, em Paris. O que seria mais caro, afinal? Se você chutou a nossa orla, errou feio. Londres, onde o metro quadrado médio da região central já chega a 16,3 mil libras (R$ 63 mil), é a mais cara. Seguida de perto pelo Triangle D’Or parisiense, região que reúne as avenidas Champs Elisées, Montaigne e François I e tem o metro quadrado na faixa dos R$ 50 mil. Depois, vem Manhattan, com metro quadrado médio de R$ 30 mil (segundo levantamento da imobiliária Douglas Elliman). A orla da Zona Sul carioca, com o metro quadrado que varia dos R$ 20 mil aos R$ 40 mil, ficaria apenas em quarto lugar nesse ranking informal dos pontos mais nobres. Mas, claro, o mercado de luxo tem regras próprias e, muitas vezes, foge da lógica do mercado imobiliário. E há os tais pontos fora da curva, imóveis chamados de especiais pelos corretores do setor, que tem características únicas e proprietários que costumam pedir o que querem ganhar para só depois decidir se estão dispostos a vender. Na orla da Zona Sul carioca, por exemplo, o preço do metro quadrado pode chegar aos R$ 60 mil, mas apenas em prédios emblemáticos como Juan les Pins, no Leblon, e Cap Ferrat, em Ipanema, onde o primeiro andar está à venda por R$ 37 milhões. Considerados os prédios com as melhores plantas da orla (cerca de 600 metros quadrados planos e nenhum vizinho de porta), ambos têm preços altos muito mais por conta da grife que carregam do que pelos serviços que oferecem. — São dois ícones do Rio que se destacam no mercado de luxo, assim como o Jardim Pernambuco. Mas a maioria dos imóveis na orla custa entre R$ 6 milhões e R$ 10 milhões — diz Jacyr Tavares, diretor da imobiliária JTavares, especializada em alto luxo. De fato, quando se trata de imóveis de luxo, os valores podem dar saltos quase estratosféricos. Em Nova York, há imóveis que podem chegar aos US$ 50 milhões (cerca de R$ 118 milhões). Em Londres, aos 100 milhões de libras (ou R$ 385 milhões) — preço de uma cobertura no Hyde Park 1, um dos mais exclusivos residenciais do mundo. E, nos arredores nobres de Paris, aos €$ 75 milhões (R$ 240 milhões). É esse o preço de uma mansão à venda na pequena cidade de Neuilly-sur-Seine, que abriga ricos e poderosos franceses, como o ex-presidente Nicolas Sarkozy. Mas, nesse caso, só para quem quiser ser vizinho de Liliane Bettencourt, a poderosa dona da L’Oreal, que mora duas casas depois. Dentro da capital francesa, as ruas mais caras estão localizadas em áreas centrais como os arrondissements (áreas que dividem a capital francesa) Sexto, Sétimo e Oitavo, segundo estudo feito pela imobiliária Efficity. Fora da curva, no caso, está a charmosa Île de St. Louis, onde o metro quadrado chega aos R$ 96 mil. — Como no Rio, os preços dependem da vista. Aqui os imóveis mais caros estão em pontos em frente ao Sena, com vista para o Louvre, a Torre Eiffel. E também no Triangle D’Or, que é a área favorita dos brasileiros — comenta Paulo Fernandes, diretor-geral da imobiliária de luxo Sotheby’s Paris, lembrando que o preço médio do metro quadrado na cidade é de R$ 29 mil. Já em Nova York, encontramos um apartamento de 400 metros quadrados na badalada Quinta Avenida, com vista para o Central Park, à venda por U$ 14 milhões (R$ 33 milhões). E uma cobertura de tamanho similar, mas do outro lado do parque, no Upper West Side, e bem pertinho do Museu de História Natural, que está sendo vendida por um preço um pouquinho maior: US$ 14,75 milhões, ou cerca de R$ 35 milhões. Exatamente o mesmo que vem sendo pedido, há ao menos sete meses, pelos proprietários da cobertura do Exclusivité, no Leblon. Um imóvel triplex de 770 metros quadrados. — Além das prestigiosas localizações, os imóveis nova-iorquinos carregam a assinatura de arquitetos e designers famosos — destaca Dottie Herman, CEO da Douglas Elliman Imobiliária, uma das mais exclusivas de Nova York. — Tanto que costumam ficar em torno de 95 dias no mercado. Claro, que o tempo de venda vai depender de uma série de fatores, inclusive da competência do corretor em achar o comprador certo para um imóvel desse valor. No Brasil, aliás, esse tempo costuma ser maior. Pode chegar aos dez meses, se o imóvel tiver um valor considerado acima do preço de mercado. Mas, em geral, vai dos três aos seis meses. — O ideal mesmo é que o imóvel seja vendido em até quatro meses — diz Frederico Judice, da Judice & Araújo. Considerada como uma das cidades mais caras do mundo para se viver, pela Expatistan (organização especializada em calcular o custo de vida em grandes cidades), Londres tem preços ainda mais elásticos que as demais cidades. Segundo a imobiliária Harrods Estates, propriedades de luxo podem custar de R$ 11,5 milhões (apartamentos de três quartos) a R$ 22 milhões (para casas). Mas nos pontos mais nobres da cidade como Knightsbridge, Mayfair, Kensington e Chelsea, esses valores não são inferiores aos R$ 22 milhões. — No Hyde Park 1, um apartamento de um quarto não custa menos que isso — avalia Shirley Humphrey, da Harrods Estates, lembrando que propriedades assim oferecem facilidades como segurança, estacionamentos amplos, academias, spas, cinema e adegas. Já em Santiago do Chile, apesar da valorização dos últimos anos, os preços ainda não chegaram a patamares tão altos. Nas regiões mais nobres, como Las Condes, Vitacura, Providencia e Lo Barnechea, o metro quadrado gira em torno dos US$ 3 mil aos US$ 3,5 mil, ou entre R$ 7 mil e R$ 8,2 mil, mais baixo até que o metro quadrado médio do Rio, que fechou 2013 em R$ 9.937. — Só no ano passado, o número de anúncios de propriedades de luxo aumentou 47%. Santiago vem se consolidando como uma das melhores cidades para se fazer negócios na América Latina o que atrai muitos estrangeiros para o nosso mercado imobiliário, inclusive alguns brasileiros — avalia Nicolás Izquierdo, gerente de Análises Imobiliárias do Portal Inmobiliario, um site que reúne classificados chilenos Fonte: Jornal O Globo Online - 19/01/2014