Expansão e futuro do Rio passam pela Barra da Tijuca

Um dos maiores estudiosos do tema mobilidade urbana no Rio de Janeiro, principalmente na região da Barra da Tijuca, o presidente da construtora Carvalho Hosken, Carlos Fernando de Carvalho, reconhece que os problemas na área são grandes desafios e enfatiza que está mais do que na hora de se fazer uma revisão dos projetos das redes de tráfego do Rio. "As novas vias expressas e seu BRTs que estão chegando à Barra são muito bem-vindos e resolverão o problema da acessibilidade, mas não podemos basear o desenvolvimento da cidade apenas em autoestradas", avalia Carlos Carvalho, destacando que a acessibilidade na Barra deverá levar para lá uma população diária de 2 milhões de pessoas. Carlos Carvalho lembra que a Barra da Tijuca tem uma extensão territorial muito grande, o que implica em ajustes dos projetos de mobilidade executados na região."O transporte por vias expressas vai fazer o passageiro saltar a grandes distâncias do destino final. Quando sair do ônibus, o que fará?", questiona. Ele defende um olhar mais atento das autoridades e pensadores da mobilidade urbana para o uso de balsas como meio de transporte nas lagoas internas da Barra da Tijuca e exalta o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT). A proibição de transportes não legalizados, como as vans piratas, segundo o presidente da Carvalho Hosken, também é considerada uma ação estratégica. "Já não resta dúvida de que a cidade cresce para em direção à Barra, como anteviu o urbanista Lúcio Costa. Com a primeira parte, que vai do Jardim Oceânico até a Ayrton Senna, bastante desenvolvida e passados mais de 40 anos do início da ocupação no bairro, chegou a hora da construção da nova centralidade do Rio", defende. Segundo Carlos Carvalho, essa nova visão da cidade passa pela Avenida Abelardo Bueno, que margeia o centro metropolitano e já pode ser considerada a mais bela avenida da região."Ela ficará ainda mais bonita com o término das obras dos corredores expressos Transcarioca e Transolímpica", destaca o empresário, acrescentando que ali já nascem grandes empreendimentos imobiliários, como o Hotel Hilton e o Shopping Metropolitano, além de vários conjuntos comerciais e corporativos. "Vale lembrar que ali do lado está sendo erguido o Parque Olímpico, um dos principais projetos da Olimpíada de 2016", completou. Para o presidente da Carvalho Hosken, o prosseguimento desse desenvolvimento pela Avenida Salvador Allende, que também receberá intervenções que vão quadruplicar o seu tamanho, até a Ilha Pura, é o coroamento da nova centralidade da cidade. "Isso tudo com fecho de ouro das lagoas limpas, abastecimento de água, esgoto e energia. Teremos muitas mudanças nos próximos anos", celebra o executivo. A atuação da Carvalho Hosken, segundo seu presidente, é a de promover uma ocupação com a construção de empreendimentos autossustentáveis, verdadeiros bairros independentes, em que a população local cuida da conservação e segurança, dispensando a intervenção do poder público. Ele lembra o sucesso de empreendimentos construídos pela empresa a partir da década de 70, como o Village São Conrado e o Atlântico Sul, entre outros, que deixaram um legado positivo para as regiões onde estão inseridos. Nos anos 80, a empresa começou a preparar o local para erguer a Península, recuperando os manguezais, abrindo as avenidas e fazendo o paisagismo. "Com isso pronto, demos início à construção dos prédios no início do século 21 com vários parceiros. Uma década depois, lá está a Península totalmente cuidada pelos seus moradores", cita. O futuro da urbanização da região, segundo Carlos Carvalho, seguirá naturalmente rumo ao Recreio. "Isso ficará para depois. O Recreio tinha vocação de ser o que o Leblon é para a Zona Sul, mas o bairro já recebeu uma ocupação sem grande planejamento, por isso seu destino será de uma área mista.com ocupação variada", finaliza o presidente da Carvalho Hosken. Fonte: Jornal do Commercio - 23/10/2013

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