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Cais do Valongo pode se tornar Patrimônio da Humanidade

Obras do binário no Porto do Rio

Principal porto de entrada de africanos escravizados no Brasil e nas Américas, o Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro, teve a candidatura aceita pelo Centro do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para ser reconhecido como Patrimônio da Humanidade.

Esta semana, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e a Prefeitura do Rio receberam o comunicado da Unesco, por meio do Ministério das relações Exteriores, informando que o dossiê da candidatura foi aceito. A partir de agora, a entidade internacional analisará tecnicamente as informações e a candidatura será apreciada na reunião do conselho da Unesco, em julho do ano que vem.

Elaborado pelo Iphan e pela Prefeitura do Rio, com o apoio de especialistas, o dossiê servirá como base para o trabalho de avaliação dos representantes dos órgãos consultivos da Unesco, que visitarão a região portuária e o Cais do Valongo nos próximos meses. O trabalho técnico prosseguirá com a participação da comunidade e do Comitê Consultivo da Candidatura, composto por várias instituições governamentais e da sociedade civil, especialmente as representativas da valorização da herança africana.

A inscrição representará o reconhecimento do valor universal deste local, como memória da violência contra a humanidade representada pela escravidão. Para o Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), o reconhecimento do Cais do Valongo como Patrimônio Mundial será o reconhecimento da contribuição dos africanos na formação dos povos do continente americano.

Calcula-se que o Brasil tenha recebido mais de 4 milhões de escravos nos mais de três séculos de regime escravagista no País, quando foi colônia de Portugal e permanecendo nessa condição algumas décadas após a independência. Pelo local passaram mais de 1 milhão de africanos escravizados, o que tornou o local o maior porto receptor de escravos do mundo.

O dossiê - elaborado ao longo de um ano foi coordenado pelo antropólogo Milton Guran -, resgata a história do tráfico negreiro e analisa com detalhes a importância histórica e o simbolismo do sítio arqueológico para todos os brasileiros, em especial os afrodescendentes. Revelado em 2011 durante as obras do Porto Maravilha, que está revitalizando área de cinco milhões de metros quadrados na Região Portuária do Rio de Janeiro, o cais foi construído em 1811 pela Intendência Geral de Polícia da Corte do Rio de Janeiro. O objetivo era retirar da Rua Direita, atual Primeiro de Mar- ço, o desembarque e comércio de africanos escravizados.

 

Fonte: Jornal do Commercio - 03/03/2016