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Caminhos da valorização imobiliária do Rio

 

Na esteira por onde passa a valorização do mercado imobiliário do Rio de Janeiro, alguns fatores foram fundamentais para que o setor chegasse no elevado patamar onde se encontra. Dentre eles, podemos citar os grandes investimentos em infraestrutura no Rio e Grande Rio, uma nova política de segurança pública e a perspectiva dos grandes eventos que a cidade sediará.

Através desses agentes, diferentes zonas da cidade foram impactadas, alcançando excelente destaque para o mercado de imóveis. Bairros tradicionais que antes viviam em estado de esquecimento, violência contínua e degradação, foram revitalizados, não só no quesito da urbanização em si, mas também no sentimento de quem é morador e na visão da sociedade. Além disso, localidades que já vinham em forte crescimento, ganharam mais fôlego e agora caminham a passos firmes na direção de maior valorização.

Zona Oeste

Forte investimento em mobilidade urbana gera contínua valorização imobiliária

Não há como negar. A zona oeste é, hoje, a maior responsável pelo crescimento do setor imobiliário carioca. Formada por bairros em pleno desenvolvimento urbano e com terrenos disponíveis para a construção civil, a antes isolada região, se tornou a mais nova queridinha do mercado de imóveis na capital ­fluminense.

Para se ter uma ideia da representatividade do local, segundo dados da Associação dos Dirigentes do Mercado Imobiliário (Ademi), mais de 60% das unidades habitacionais lançadas em 2012 se concentra na região: Jacarepaguá (3.254), Recreio (2.361), Barra da Tijuca (1.342) e Campo Grande (722).

Em termos de população, a zona oeste também surpreende. Dos dez bairros cariocas mais populosos do Rio de Janeiro em 2010, de acordo com o Censo IBGE, sete ‑ cam na localidade. Dentre eles destacam-se Campo Grande (328,3 mil), Bangu (243,1 mil), Santa Cruz (217,3 mil), Jacarepaguá (157,3 mil), Barra da Tijuca (135,9 mil).

A escolha do Rio para sediar as Olimpíadas de 2016 foi fundamental na valorização imobiliária dessa região. Isso impulsionou os investimentos públicos e privados em mobilidade urbana, construção civil e entretenimento. O complexo Barra-Recreio-Jacarepaguá, que será o foco das atenções nas competições olímpicas, registou uma forte procura por terrenos para construção e grande valorização dos imóveis.

“As construtoras estão ávidas por terrenos nessa área. A procura aumentou em 50% desde 2009. E o valor dos imóveis registra uma valorização de 25% ao ano” – comenta o representante do Creci-RJ na Barra da Tijuca, Carlos Alberto Macedo.

A Transcarioca, corredor rodoviário que ligará a Barra da Tijuca ao Aeroporto Internacional do Galeão, e a linha quatro do metrô, já saíram do papel e tem obras espalhadas por toda a região. É mais uma opção de transporte de massa para uma área que a cada dia cresce mais.

A expansão do metrô facilitará o trajeto da Barra à Zonal Sul e ao Centro da cidade. Quem evitava a localidade pelos engarrafamentos constantes, agora terá mais tranquilidade no deslocamento.

Já Campo Grande, Guaratiba e Santa Cruz são as novas apostas do mercado imobiliário. A abertura do túnel da Grota Funda, que ligou esses bairros à Barra da Tijuca, criou uma nova fronteira na região. Através da Transoeste, corredor rodoviário expresso que passa pelo túnel e tem mais de 56 km de extensão, a localidade se tornou mais acessível, urbanizada e conectada com o importante centro empresarial que em se tornado a Barra.

O transporte realizado via BRTs (Bus Rapid Transport) diminuiu o tempo de viagem pela metade entre um ponto e outro. Esse fator atraiu os olhares de grandes construtoras que agora visualizaram boas perspectivas para o mercado imobiliário da região.

“Hoje, um apartamento dois quartos em Campo Grande não sai por menos de R$ 120 mil. De 2012 para cá, quando foi inaugurada a Transoeste, o valor dos imóveis no bairro subiu cerca de 20%. Em Santa Cruz e Guaratiba, o mesmo acontece.” – destaca o corretor de imóveis, Jorge Herrera.

Bairros tradicionais da região também tem experimentado esse bom momento do setor imobiliário, como é o caso de Bangu e Realengo. “O mercado de imóveis em Bangu tem valorizado cerca de 20%. Já em Realengo, o percentual chega aos 10% no último ano” – ressalta Herrera.

Aliado aos fatores de investimento em mobilidade urbana, o crescimento exponencial da Classe C faz com que a imigração que acontecia da zona oeste para bairros da zona norte e sul diminua, transformando a região num lugar com poder aquisitivo maior.

Madureira

Obras de infraestrutura e ampla área de lazer valorizam região

Conhecida como a capital do samba, o bairro de Madureira teve registrada valorização média de 80% dos imóveis com as obras de infraestrutura, como o Mergulhão de Campinho, a Transcarioca e a duplicação do Viaduto Negrão de Lima, além da inauguração do Parque Madureira. O espaço de lazer, que foi construído sobre um antigo terreno baldio, inclui novas áreas verdes, praças de alimentação, quadras poliesportivas, campos de futebol, pistas para caminhadas e palco para shows. É a terceira maior área de lazer do município, ficando atrás somente do Aterro do Flamengo e a Quinta da Boa Vista. Nos finns de semana, o Parque recebe em média de 20 a 25 mil visitantes, incentivando não apenas o mercado imobiliário, mas também o forte comércio da região.

Um imóvel de dois quartos em Madureira, que antes era vendido por R$ 150 mil hoje custa R$ 300 mil. Uma loja que custava 200 mil, hoje não sai por menos de R$ 500 mil.

“As perspectivas para o bairro melhoraram, re­fletindo no aumento da procura de 70% pelos imóveis na localidade”– aborda o corretor de imóveis Hélio Alves Benício.

A oferta de imóveis também é maior, já que as construtoras passaram a investir mais na região de acordo com a Ademi, de 2011 para 2012 houve um crescimento de mais de 68% de lançamentos residenciais no bairro.

Centro

Obras de infraestrutura e ampla área de lazer valorizam região

O Centro do Rio de Janeiro, coração financeiro da cidade, passa por uma completa revitalização, o que in­fluencia diretamente na valorização imobiliária. Desde 2009 com o início das obras, o Centro passa por uma nova fase onde as pessoas acreditam mais na região como oportunidade de negócios.

Com isso, as salas comerciais chegaram a 55% de valorização em 2011, uma das maiores dos últimos anos. Os empresários voltaram a olhar com boas perspectivas a área central do município.

Especialmente na Zona Portuária, a revitalização no local inclui obras de habitação, infraestrutura e cultura como o Museu de Arte do Rio, inaugurado em março deste ano, e o Museu do Amanhã, com previsão de término das obras para 2015. Importante porta de entrada da cidade, o Porto do Rio receberá durante as Olimpíadas de 2016, o Centro de Mídia e a Vila dos Árbitros.

Nesta região estão sendo erguidos novos prédios comerciais: “Quando os lançamentos no Porto ficarem prontos, haverá uma forte migração de empresas que possuem sedes em outras regiões do Centro, abrindo espaços para outras corporações e aquecendo ainda mais o mercado – ressalta o administrador imobiliário, Ronaldo Coelho Neto.

Em relação aos imóveis residenciais, a valorização dos imóveis chegou a 30% ao ano. Houve um aumento da procura de cerca de 50% pelos imóveis da região proporcionado pelo maior conforto de residir próximo ao trabalho. Devido ao pouco espaço para novas construções, quando há lançamentos residenciais no Centro do Rio, as unidades são rapidamente vendidas.

Zona Sul

Limitação topográ­ ca e grande procura por imóveis propiciam valorização

Que não há espaço para lançamentos residenciais ou comerciais de grande porte na Zona Sul do Rio de Janeiro, todo mundo sabe. Porém, o que muitos não sabem é que a procura por imóveis nessa região está em contínuo crescimento, dia após dia. E, como dita a lei do mercado, se cresce a demanda, mas a oferta é pequena, o preço sobe.

“Nenhum bairro da zona sul valorizou menos que 20% no último ano” – destaca o representante do Creci-RJ, Manuel Rodrigues Pereira.

A instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP’s) resgatou o fôlego do mercado imobiliário na região. O aumento na sensação de segurança fez o valor comercial dos imóveis em Botafogo, Copacabana e Ipanema praticamente triplicar.

Segundo o Fipe-Zap, indicador de preço de imóveis anunciados no portal Zap, o metro quadrado em 2008 no bairro de Botafogo era de R$ 3.600. Em 2013 o valor já chega a R$ 10.800 em média. A expectativa do mercado é que até 2016 esses valores cresçam ainda mais.

Leopoldina

Recuperação de uma área esquecida

A simpática região da Leopoldina ressurgiu para o mercado imobiliário no ano de 2010 com a ocupação do Complexo do Alemão e das comunidades próximas. No bairro da Penha, a valorização dos imóveis passou dos 40%. Uma unidade de dois quartos, próxima ao Parque Shangai (perto das comunidades com UPP) que antes da ocupação custava em média R$ 100 mil, atualmente custa R$140 mil. Já um imóvel de mesmo per‑ l, localizado no outro lado do bairro, na altura da Avenida Lobo Junior, que custava R$ 140 mil, hoje, não sai por menos de R$ 180 mil.

“Com a retomada das comunidades pelo poder público, aumentaram as possibilidades de convencimento com os compradores. Após a ocupação nas comunidades do Alemão e da Penha, a procura pelos imóveis no bairro aumentou em 60%” – destaca o conselheiro do Creci-RJ,Marcos Madureira.

Além de cenário de novela, o Complexo do Alemão faz parte do roteiro turístico da cidade. Em média, diariamente, 12 mil pessoas sobem pelo teleférico da comunidade. Nos fins de semana, 60% desse número são visitantes que estão passeando pelas gôndolas do sistema. Como dado comparativo, nesta época do ano, o Pão de Açúcar recebe cerca de 6 mil pessoas no final de semana, enquanto o Cristo Redentor recebe em média 4.500 por dia.

Grande Tijuca

Uma das maiores valorizações da cidade

Uma região que sofria pela criminalidade. Apesar de ótima localização, os bairros que compõem a Grande Tijuca eram prejudicados pela falta de segurança. O panorama começou a mudar em 2008 com a instalação das primeiras UPP’s nas comunidades locais. A retomada da sensação de segurança foi fundamental no processo de recuperação da autoestima e da valorização do mercado imobiliário da região.

No bairro da Tijuca, sede do saudoso América Futebol Clube, a valorização dos imóveis chegou a 70% após as instalações das UPPs nas comunidades do Borel, Formiga, Andaraí, Turano e Salgueiro. Um imóvel de dois quartos que antes custava em média entre R$ 140 mil e R$ 160 mil hoje não sai por menos de R$ 400 mil. O bom momento do bairro incentivou o aumento do número de lançamentos imobiliários, a instalação de lojas de grifes e até mesmo do primeiro hotel internacional.

O fato propiciou o aumento de 60% na procura pelos imóveis do bairro. Uma particularidade é a volta de antigos moradores que saíram da Tijuca na década passada e agora retornam pela maior sensação de segurança.

Em Vila Isabel, palco da atual campeã do Carnaval carioca, que leva o mesmo nome do bairro, a instalação da UPP do Morro dos Macacos foi um pilar da valorização imobiliária na localidade, que também chegou a 70%. Uma unidade de dois quartos que a cinco anos atrás poderia ser vendida por R$ 80 mil, atualmente custa em média R$ 250mil/ R$300 mil. Neste perfil de imóvel, o bairro apresentou a maior valorização do Rio de Janeiro no ano de 2011.

No Maracanã, além da proximidade com as comunidades ocupadas pelas UPPs, outro fator contribui para o aquecimento do mercado imobiliário. A revitalização do Maracanã, sede da ‑ nal da Copa do Mundo de 2014, e do entorno do Estádio valorizaram em média 60% as unidades do bairro. Com a valorização, a oferta de unidades no bairro aumentou cerca de 70%.

– Além do crescente número de lançamentos, a oferta aumentou também pela recente valorização imobiliária. Muitos proprietários enxergaram a possibilidade de ganhar dinheiro e investir em outro patrimônio ao vender um imóvel – comenta o representante do Creci-RJ na Tijuca, Luis Carlos Lavor.

Guiados pela valorização dos bairros próximos, Alto da Boa Vista, Grajaú, Praça da Bandeira e Andaraí, que também fazem parte da Grande Tijuca, passaram por um recente aquecimento do mercado imobiliário.