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José Mariano Beltrame

Secretário de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro desde 2007 e um dos criadores do projeto Unidades de Policia Pacificadora (UPPs), José Mariano Beltrame, nesta participação especial na Revista Stand, fala sobre planejamento e a importância das UPPs para as comunidades pacificadas e para a sociedade fluminense. Ele é formado em Direito pela Universidade Federal de Santa Maria, em Administração de Empresas e Administração Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Especializou-se em Inteligência Estratégica na Universidade Salgado de Oliveira e na Escola Superior de Guerra. Fez curso de Inteligência da Secretaria Nacional de Segurança Pública e de Análise de Dados de Inteligência Policial. Ingressou no Departamento de Polícia Federal no ano de 1981 como agente, principalmente, na área de repressão a entorpecentes. Exerceu funções no setor de inteligência, combatendo o crime organizado em vários Estados brasileiros.

Quais são os objetivos das Unidades de Polícia Pacificadora e como ocorre o planejamento do projeto?

As UPPs são uma solução pensada para consolidar a retomada de território de áreas conflagradas pela criminalidade. Não é um projeto pronto e acabado, é uma ideia que está sempre em construção, em desenvolvimento. A cada nova UPP, vamos aprendendo e aprimorando o planejamento das próximas.

Quais os próximos passos das UPPs? Existem perspectivas para que o projeto seja levado para outros municípios do Estado?

Uma comunidade é bastante diferente da outra, cada uma tem características próprias. Elas são projetadas sob medida para as necessidades específicas de cada local. Há um planejamento para a chegarmos a no mínimo 40 UPPs até 2014. Depois continuaremos chegando a mais comunidades das Zonas Norte e Oeste e também a outros municípios, além da capital.

Qual o balanço que pode ser feito após quatro anos e meio de implantação do projeto?

Ainda temos muitos desafios pela frente, mas o balanço é altamente positivo, não há dúvidas. As UPPs estão transformando a realidade para milhares de famílias que moram nas 217 comunidades atendidas pelas UPPs. À noite, as famílias não ficam mais presas dentro de casa, só porque o traficante mandou

As Unidades representam muito mais que a retomada da sensação de segurança. Como o Sr. avalia o trabalho social e ampla oferta de serviços desenvolvidos nas comunidades?

O comércio está florescendo, os serviços públicos aos poucos se fazem presentes, o direito de ir-e-vir foi restabelecido e ninguém precisa pedir permissão ao “dono do morro” para entrar na comunidade, conhecer seus atrativos, tirar fotos e conversar com os moradores. Isso gera valorização e dignidade na vida das pessoas. É a abertura de uma janela de oportunidades para os serviços públicos e privados, permitindo que a sociedade cumpra sua dívida de anos de abandono daquelas comunidades, passando a incluí-las novamente no Rio de Janeiro, com cidadania e paz.

As Unidades de Policia Pacificadora são fundamentais para o Estado. Como o senhor avalia a aceitação e apoio das comunidades ao projeto?

Eu já almocei muito bem nessas comunidades, passei réveillon lá, fui à missa, conheci figuras extraordinárias, assisti a shows de música e até apresentação de balé… Sempre fico muito emocionado quando moradores vêm a mim agradecer pela volta da paz. Eu fui convidado para assistir à Missa do Galo na Igreja da Penha. E fui lá. Depois da missa, muitos fiéis, alguns idosos, antigos frequentadores da paróquia, vieram a mim agradecendo, emocionados, pela volta da paz, que permitiu que eles pudessem frequentar de novo a Igreja da Penha, que estava isolada pela violência do tráfico.