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José Domingos Corrêa Martins, Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal

Formado em Administração pela UERJ e com pós-graduação em Gestão Empresarial pela Funcefet, José Domingos Corrêa Martins é Superintendente Regional da Caixa Econômica Federal no Rio de Janeiro.

Nesta entrevista exclusiva à Revista Stand, José Domingos comenta assuntos de grande relevância para o mercado imobiliário, como a projeção da oferta de crédito para o setor em 2014, déficit habitacional e o programa Minha Casa Minha Vida.

 

“Acreditamos que ainda tem uma grande demanda por imóvel a ser atendida”

 

1 – O crédito Imobiliário da Caixa cresceu bastante de uns anos para cá, atingindo mais de R$ 100 bilhões em setembro de 2013. O que a Caixa Econômica Federal espera para 2014?

 A estimativa da Caixa é que o crédito imobiliário continuará em expansão, porém em um ritmo mais gradual devendo crescer entre 10% e 15% em relação à 2013.

 

2 – Essa oferta de crédito tende a aquecer ainda mais o mercado imobiliário?

 Acreditamos que ainda tem uma grande demanda por imóvel a ser atendida, quer pelo elevado déficit habitacional, próximo de 7 milhões de unidades habitacionais, quer pelo crescimento do número de famílias, que se tem dado à razão de 2% a.a., aproximadamente o dobro do crescimento populacional brasileiro. Portanto, é bem provável que o mercado de crédito imobiliário mantenha sua tendência de expansão.

 

3 – No comparativo histórico, a taxa de juros para aquisição da casa própria caiu vertiginosamente. A Caixa Econômica é pioneira nesse sentido. Essa ação fez a diferença para que o número de financiamentos imobiliários aumentasse? Por que?

A base para o atual ciclo virtuoso vivenciado pelo mercado

de crédito imobiliário ao longo dos últimos anos foi a estabilidade econômica, a qual se iniciou a partir

do Plano Real, em meados de 1994 e se consolidou ao longo dos anos seguintes. Sem esta, seria absolutamente impossível implementar as melhorias que foram introduzidas nas operações de crédito imobiliário. Em decorrência da estabilidade econômica, que resultou na maior confiança tanto por parte dos consumidores quanto do setor produtivo e também do setor financeiro, foi possível não só baixar os juros, mas também aplicar a quota de financiamento e o prazo de retorno da dívida.

Isso, associado ao crescimento do emprego e da renda, possibilitou que as famílias ampliassem sua capacidade de pagamento e, assim, pudessem realizar, com mais intensidade, o sonho da casa própria.

Alie-se ainda o expressivo volume de subsídios aportados pelo Governo Federal, principalmente por meio do Programa Minha Casa Minha Vida, o qual, principalmente para o público de baixíssima renda, que responde por mais de 90% do déficit habitacional, transformou o que era apenas “carência” por imóvel em “demanda” por imóvel e, assim, ao mesmo tempo em que teve grande impacto social ao incluir este segmento no mercado, criou um importante nicho para atuação do setor da construção civil e, assim, reforçou a geração de emprego e renda.

 

4 – O Programa Minha Casa Minha Vida (PMCMV) atingiu números importantes em 2013, como as 1,32 milhão de moradias entregues até agosto. Como o senhor avalia a importância desse programa e quais são os próximos objetivos?

 O Programa Minha Casa Minha Vida acaba de atingir 3 milhões de unidades habitacionais contratadas, das quais quase 1,7 milhão já estão concluídas. Como dito na resposta anterior, o Programa Minha Casa Minha Vida foi decisivo para mitigar os impactos da crise global de 2008, tendo provocado efeitos positivos na economia, ao expandir a geração de emprego

e renda em toda a cadeia produtiva do setor habitacional, aliado aos importantes impactos sociais, por meio do atendimento a um segmento que, em sua maioria, estava fora do mercado consumidor. Os próximos passos são, ao mesmo tempo, dar sequência às

contratações do PMCMV 2, com previsão de mais aproximadamente 750 mil unidades habitacionais e, paralelamente, iniciar a estruturação das regras para o PMCMV3.

 

5 – Muitas construtoras que só trabalhavam com público de alto poder aquisitivo, hoje lançam empreendimentos dentro do Programa Minha Casa Minha Vida. As empresas enxergaram nesse novo perfil de mercado, com a ascensão da Classe C, maiores possibilidades de lucros?

 Considerando que mais de 90% do déficit habitacional está concentrado na baixa renda, além da ascensão da Classe C e de medidas que facilitaram a inclusão, no mercado, das famílias de baixa renda, a decisão de várias construtoras em produzir imóveis para este segmento era uma consequência inevitável.

 

 

6 – Apesar dos programas e políticas implantados pelo Governo, que facilitam a aquisição da casa própria, como o senhor mesmo já citou, o déficit habitacional ainda é grande. Quais são os caminhos para que esse número diminua e qual o papel da Caixa Econômica Federal nesse contexto?

 A Caixa sempre teve o financiamento habitacional como uma de suas principais prioridades e, muito embora tenha linhas de crédito para todos os segmentos sociais, inclusive a alta renda, sempre teve foco no atendimento ao segmento que está na base da pirâmide do déficit habitacional. Considerando a dimensão do referido déficit, associado à demanda vegetativa, eliminar esta carência é um grande desafio e, certamente ainda levará vários anos, porém, os resultados evidenciam que estamos no caminho certo.

 

 

7 – Os feirões Caixa da Casa Própria surpreendem a cada ano no Rio de Janeiro e em outras capitais, não só como instrumento de agilidade na aquisição de imóveis, mas como termômetro das operações imobiliárias no País. Como o senhor avalia os resultados de 2013? E já existe um planejamento para 2014?

 O Feirão da Casa Própria, promovido pela Caixa, já está inserido na agenda dos brasileiros e, a cada ano, os resultados são ainda mais expressivos. Seguramente haverá o Feirão 2014, porém, como se trata de um ano atípico, pois, além das eleições presidenciais tem também a Copa do Mundo, ainda estamos avaliando o período mais adequado para sua realização