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Fundo imobiliário é opção em tempos de juros mais baixos

Ganhos com aplicação tendem a crescer, dizem especialistas. Rendimento mensal é vantagem

Os juros em queda levam o investidor a buscar alternativas para seu dinheiro render mais. Aplicar em ações está sempre em mente quando o assunto é diversificação dos investimentos, mas essa não é a única opção para quem quer deixar parte dos recursos em uma aplicação de renda variável. Os fundos de investimento também têm essa característica — e com a vantagem de oferecer benefício tributário a quem compra as cotas dessas carteiras.

O índice de fundos imobiliários da B3, o IFIX, acumula no ano variação de 12,5%. É menos do que os 19,4% do Ibovespa. No entanto, esse é um setor que tende a ter menos volatilidade que o investimento em ações, o que pode ser mais adequado ao investidor que deseja assumir riscos, mas ainda não está preparado para ser o acionista de uma empresa e prefere algo que garanta rendimentos mensais, a exemplo da renda fixa.

— Esse é um investimento de renda variável, mas tem característica de renda fixa por ter rendimento mensal. Com a queda acentuada dos juros, esses fundos são alternativa para quem quer retorno maior — afirma Fabricio Tota, gerente do homebroker da corretora Socopa.

Desde outubro do ano passado, a taxa básica de juros (Selic) caiu de 14,25% para os atuais 9,25% ao ano. Na quarta-feira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deve promover mais um corte — a expectativa é que seja de um ponto percentual —, o que tornará menos atraentes os investimentos em fundos de renda fixa tradicional ou no Tesouro Direto. Enquanto na renda variável os ganhos no ano estão na casa de dois dígitos, os DIs, taxa interbancária atreladas a diversos investimentos, têm alta de 7,4% de janeiro a agosto.

 

Basicamente, um fundo imobiliário tem ativos como empreendimentos comerciais, shoppings centers e certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). A rentabilidade é composta pelo rendimento desses ativos, em geral, o aluguel. Por essa razão, na avaliação de especialistas, o ganho tende a melhorar com a recuperação da economia. Os espaços que estão vagos tendem a ser alugados.

— O fundo imobiliário acaba sendo um meio termo entre a renda fixa e as aplicações em ações, que requerem maior dedicação do investidor. Por ser algo ligado ao aluguel, a compreensão é mais fácil e o investidor se sente mais confortável — diz Tota.

ISENÇÃO DE IR, COM CONDIÇÕES

Para quem pensa em comprar uma cota de fundo imobiliário, a vantagem é que os valores de aplicação mínima costumam ser baixos, em torno de R$ 100. Também há incentivo tributário para a pessoa física. Os rendimentos, que em geral são mensais, são isentos de Impostos de Renda caso a carteira de investimento tenha, ao menos, 50 cotistas e as cotas sejam negociadas em Bolsa. Só há cobrança de IR na venda: 20% sobre o ganho.

Alberto Alves, diretor do banco Ouroinvest, explica que o cenário de queda dos juros faz com que novos fundos de investimentos sejam lançados no mercado. A instituição, que já tem um fundo imobiliário que investe em crédito do setor (CRIs), quer lançar mais dois até o fim do ano:

— O mercado estava favorável ao inquilino, que conseguia descontos ou benfeitorias no imóvel. Acho que essa fase a gente não vai ver mais. Em algum momento haverá a recuperação dos aluguéis, e isso permitirá um rendimento maior.

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Alves pondera que o desempenho dos fundos imobiliários pode piorar caso a recessão volte e a vacância (imóvel desocupado, sem renda de aluguel) e a inadimplência voltem a crescer. Para minimizar os riscos, os especialistas sugerem que o investidor verifique o tipo de cliente dos imóveis. Se há só um inquilino, o risco tende a ser maior, assim como no caso de contratos de curto prazo.

Segundo analistas da Ativa, as carteiras que hoje têm espaços para alugar tendem a apresentar um desempenho melhor nos próximos meses. Entre as apostas da corretora está o fundo de investimento Edifício Galeria. O empreendimento, no centro do Rio, tem uma vacância pouco acima de 30%.

Outros fundos já passaram por esse processo de apreciação, caso do Dom Pedro, ABC Imobiliário e RB Capital, todos com mais de 40% de ganho no ano, segundo levantamento da Economática.

Fonte: O Globo, 04/09/2017